sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A tentação

Porque não me comes ó homem,
Tua vara é meu gozo mais sutil
É afugento das almas mais vis
Porque não te serves de mim,
Do meu corpo.


Eu sou mulher e tu é homem
Vem, mata a tua fome.
Me devora como a um
prato de comida.

Eu estou aqui e por ele fui esquecida
A solidão entorpeceu-me o peito
Mas meus seios permanecem intactos
Vem neles mamar, como mamaram meus filhos

Não te negues, ó homem
Sou tua prenda ,tua oferenda
Os anos modificaram minhas formas
Mas não o meu calor...
Queimo como no inferno

Sou tentação e tu renegas o pecado
Teu hábito, Tua batina, tanto me fascinam
Vem, largue as crenças de lado e venha comigo gozar
Quero consumar contigo o amor
Quero te ensinar o lado bom da vida

E quando me comeres
Saberás o doce sabor do pecado
Gozará comigo a sensação de ser comida
Carregarás o peso pro resto da vida
De ter sido leviano

Mas não te negues
A leveza da vida
É o erro,
É naufragar nos seios
De quem vos oferece
É o gozo quente
Desta dama louca
Que insistente
Lhe esfrega a vagina
Na boca

Jair Fraga V. Neto
Numa tentativa de eu feminino

Não é uma odisséia

Não é uma odisséia no espaço por falta de verba, porém nem Kubrick saberia descrever o resumo da ópera das horas que não passam e nem o bailar do vento que teima em trazer seu cheiro no tardar dos dias que se vão.
Deitado na cama, o meu passatempo é inalar a sua essência ainda viva em meu lençol, e dopado de saudades, ancorar-me nos desejos, regressando aos velhos sonhos de mais uma vez seu corpo repousar sob o meu, e enfim, naufragar cansado na imensidão de teus lindos olhos cor de relva.


Jair Fraga V. Neto

Que venha a vida

Vou viver
E se tiver de sofrer

Sofrerei como homem
E aprenderei

Que a vida dure o quanto tiver de durar,
mas que não acabe agora.

Que venha a maré baixa
E tudo que for abaixo

Que venha as cachoeiras
Nevoeiras, vales e serras

Que venha o amor...
O sóbrio amor...

Que venha a vida
E a ferida

Eu hei de espera-la
De braços abertos

Jair Fraga V. Neto

Minha amante argentina


Sentindo falta do teu corpo
Fico em um vai e vem constante
Enforcando meu membro grosso
Até fazê-lo cuspir o que é seu

Queria vê-lo escorrendo em suas coxas
Ou quem sabe dá-lo na boca
O extrato sumo do meu gozo
Que só pra ti resvalo tão intenso...

No êxtase desse sonho louco
Imagino seus gemidos
Que soam aos meus ouvidos
Como uma sinfonia

Seus seios duros, pele macia
O suor que escorre pela sua virilha
Se tu estivesses aqui...
Ferozmente te lamberia

Depois do gozo
O sono...
E eu durmo tranquilo
Eu e minha amante argentina:
La palma de la mano

Rafael Cortes/Jair Fraga

Refinada Alegria

 

Embriaguei-me de glória
Pois não havia vinho tinto
A altura de minha satisfação.

E no tocar da dança
Sendo a noite uma criança
Cheia de segredos e lembranças
Serei como o sol que brilha
Em sua tocante companhia

Refinada é a alegria
Que nem champanhe
Demonstra a sutileza
De estar ao seu lado...

Jair Fraga V. Neto

Diz o ditado popular

 

A sua fala
É um monte de bala
Temível armação

Não há nada que cale
Nem reza nem vela
Nem meio milhão

Eu já fiz de tudo
Calei o meu bico
Pra te escutar

Torcendo no fundo
Pra que engasgasse
De tanto falar

O que me fere
É o que profere
Em exclamação

Mas já achei solução
Agora tu podes ladrar
Quem ladra não morde
Diz o ditado popular.

Jair Fraga V. Neto

Eu não sei nadar

 

Sou um barco naufragado sem você por perto...
Sem rumo, sem manche, nem cais ou porto
De longe lhe avisto cada vez mais distante
E eu nada posso fazer.
Eu não sei nadar...

Só posso escrever
Esperando que as águas te levem
A minha mensagem

Hoje o mar não está pra velas
E eu estou sonhando acordado...
Remoendo passado...

Só posso dizer que te amo
Tanto quanto amo o mar
Pois quando olho em seus olhos
Sinto vontade de velejar

Mas eu estou aqui
E você cada vez mais distante
Só me resta a dúvida:
Será que as ondas hoje
estão ao nosso favor?

Eu não sei ...
Não sei nadar

Jair Fraga V. Neto

Bailarina das letras

Seus olhos franceses
Pedem meu olhar,
enquanto su'alma
Baila sob as letras

Jair Fraga V. Neto

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Banquete de ratos

Olhos de subúrbio
Olhando para o chão
Suas mãos ávidas por vida
estendidas por um prato de comida

Meias mentiras ou meias verdades
Hipocrisia ou caridade
São à la carte num banquete
de ratos

Eles só querem viver,
Mas, se quisessem morrer
Talvez pudessemos ceder
Quem sabe um prato de prantos
Ou mesmo álcool e fogo

"Eles sujam a nossa cidade"
- Hão de dizer os fracos -

Mas, fortes são esses homens
Que lutam por suas vidas

Suas mãos torpedos
Ágeis no pedir...

Buscam.
Imploram.
Desejam...

sobre-
viver


Jair Fraga V. Neto

sábado, 24 de outubro de 2009

Côncavo e convexo

No côncavo
desse
solo
amalga-
mado

Nasce
uma
flor...

Em pleno gozo do dia
apaixona-se pelo sol
que a seduz,
...
Desflora.
ceifa.
perfuma!

Quando a noite chega
Chora a lua sob a flor
Lagrimas crisálidas
E no silêncio ela se
nutre em vaidade

Será colhida pela manhã sem piedade
quando suas primeiras pétalas surgirem...
Para florear a vida, enamorados.
Para ceifar a morte,perfumar o pecado.

E quando jaz fora da terra
Seu corpo logo padece
No côncavo de seu passado
Convexo é o cheiro que oferece

Jair Fraga V. Neto

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Restos de areia

Fiz-me castelo de areia
Para desmoronar
Sangrei a alma
e a veia

Calei
palavras,
Mudei
o sentido

Entreguei-me
de vez
Ao
seu
pedido

Desfiz
tratados
senti-me
moído

E agora
sou os restos
de areia
que sobraram
em suas mãos

Sou o tempo
que não passa e
a vontade de passar
Sou metade amor,
metade amante
(Não é mais como antes...)

Sou
o
verbo
que
não
cala
E
uma
poesia
a ponto
de bala

Fiz-me em desejo
Mas fui vencido
E contra mim mesmo
Eu tenho agido

Esqueci de mim
Para não ser lembrado e
Hoje, de coração amargurado
Bebo do ácido da saudade
Enquanto minh' alma goteja
Dia a dia, respingos ilusórios
Como a esperança que alimento
De um dia sermos um...

Em vão
Pois sua vida é dividida
Entre o ser e não-ser
Ter e não ter

E o que teve de bom
Se não a falsa esperança
De um dia fazer parte desta dança
De um dia traçarmos um legado
E dançarmos tango a luz da lua?

Mas a verdade é nua e crua
Nada mudou...
E nem vai mudar,
O que eu poderia fazer

Já fiz...
Agora

falta
você...

depende
de você.

O tempo está passando
E em suas mãos
Sou apenas restos de areia.
Dia a dia, sendo levado
Pelo vento

Jair Fraga Vieira Neto

domingo, 18 de outubro de 2009

Como na poesia

Banhe de alegria o ofurô de minha alma desviada
Encha-me de amor...Confesso que morro de desejo e quero!
Desço do morro, subo o morro e peço...
Banha-me com teu calor...
Deixe-me ser o seu sol e em seu corpo repousar...
Quero ser o clarear de suas idéias e iluminar os seus dias,
Como na poesia...

Jair Fraga Vieira Neto

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Versos Molhados

VERSOS MOLHADOS
Desejei um momen-
to estar cho-
ven-
do
.
. . .
. . . .

Assim,
seria eu,
"sujeito a
chuvas e
trovoadas"
. . . . .
Mas,
não
estava.
.
.
.

Era
se-
tem-
bro.
.
Calor
que só,
cabeça quente,
olhos agudos,
suor escorrendo.
. . . . . . . . .
. . . .
. .
.

Eu
não pude
me controlar
Você estava bela
Vagava daqui,
vagava de lá
E eu ali,
só a
obser-
var.
.
Foi culpa do tempo,
Ele estava propício
Que por um momento,
Evaporei e quando percebi,
Já era nuvem…
. . . . .
.

Eu bem queria
estar chovendo,
Assim,
escorreria
como
água
em
seu
cor-
po,
. . .
.
.

F
.
L
.
U
.
I
.
N
.
D
.
O

.
Em
cada veia
. . .
Adubando corações
Abandonados .
.
.
.

Eu
Se-
ria
a
água
ne-
ces-
sária
a sua
semente,
e as gotas
que caissem
de minha nuvem,
atingiriam não só os
lençóis freáticos,
como também
permeariam
a su' alma
...
.
.

Fariam
brotar
em sua virilha
Um desejo
indecente
.
..
.. de..
…evaporar...
Junto de mim,
e por um momento
ser nuvem,
.
.

Mas,
como eu já era “nimbus”
Perdi-me de mim e em ti desagüei
"
V
.
E
.
R
.

S
.
O
.
S
-
Molhados "
JAIR FRAGA VIEIRA NETO

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Carta a quem (se) parte-

 

*Poesia de parceria com Nadine Granad (ótima poetiza)

Acordei chorando... Por isso escrevo-lhe...

Meu jardim de rosas...
Recebeu doses elevadas de agrotóxicos raivosos...
... Mas brotam árvores que ficarão altivas...
Abrigarão pássaros canoros...
Hoje já não há espinhos...

Lembro-me:
O amor...
O amor não esvaece... Não é fumaça...
Já não quero saber a frequência com que invado
seus pensares...
Sinta-o...
Onde quer
que
esteja...

Quais as cores
que lhe prenderiam?
Não,
já não há cores para ti...


Posso torcer para que sua viagem seja agradável
Não sou mais sua companhia,
mas enquanto semeei amor...
foi de verdade.

Sempre...
Sempre é muito tempo...
e é com essa periodicidade que você parte...
Sinto-me leve... seja feliz...
Que você sorria...


Raio do meu âmago comece a clarear noutros horizontes...
Leve-me toda forma de tristeza para que em mim floresça
Um novo ser, já que tu partes em vão e sob minhas mãos
tão pequeninas, ainda carrego a flor que tu deixaste

Este sofrimento me vem e não de agora
Sentia-me órfã com você ao meu lado
Vivia esperando em meus anseios que
Tu suprisses esse vazio que em meu peito sinto
Mas tu não leva de mim apenas velhas chagas,
Leva-me amores e desamores...
E já não tenho raiva de ti...

Tu se foi...
e eu estou aqui...
Gritando  por
uma  vida
nova...


A janela de mi'alma recebe raios de sol...
Brisas, aromas do campo...
Mágoas os ventos levam...
Cortinas se abrem ,
mostram-me novas paisagens!...
Seu perfume, nossos andares...
Passos fora do compasso...
Lembranças partem com suas malas!...

Peito a sorrir...
despeço-me!
Gargalho para os galhos
dos pinheiros que se curvam...
Respiro melhor
...

Olhai os pássaros ao redor
Colhei dos lírios, semeai amor...
Onde estiver e para onde for

Eu? eu quero
voar!

Jair Fraga Vieira Neto & Nadine Granad

sábado, 10 de outubro de 2009

Navegante solitário

Aos
meus
olhos, 
seu
sorriso,

calado
e conservado,
no vazio do seu
silencio

Na
minha
boca, 

a
sua
língua


o seu
vicio
de
lingua-
gem

Na
minha
cama,

sua
alma
cigana, 

a  
velar
pelo
meu
sono

No
meu
coração,

Tu
que
velejas,

Desbravando o mar
Entre os icebergs
da
realidade

De mar em mar,
Tuas mãos a conduzir-me,
Sem prazo, sem rumo, sem vela...

Na praia,
navegante solitário,
ancorado em meus sonhos curvilíneos

Entre a saudade
e a
lembrança,
velejo

Jair Fraga Vieira Neto

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Já fui e continuarei sendo

Já fui vento que sopra sem sobrenome
Já tive todas as cores, raças, sabores.
Já fui romeiro, e quando a verdade
Foi enterrada, eu estava lá

Já fui homem e sob minhas palmas
Uma aranha já fiou a sua teia
Já fui a vida e a ferida
Desmedida e desregrada
Já fui a sorte e quando a morte
Estava solta, eu estava vivo

Eu já cantei o som do silencio
E morri só para viver em outro canto
Ja renasci sobre as cinzas do tempo
Já fui ao fim para trazer-lhes um recomeço
Já pequei e sou humano

Eu já relutei quando bem quis
Já amei por amar, mas nunca deixei de sonhar.
Já roubaram minhas roupas, nunca meu coração.
Já fui do tempo um amigo e seu escravo
Já escrevi versos que diziam a saudade
E quando ela chegou, fui direto pro abraço

Já tive um passado defecado
E entendo bem de latrinas
Na ciranda da vida eu já dancei
E como uma mosca, emaranhei-me em sua teia.
Já fui lagrimas, já fui sujeito de fé!
Já fui o lado escuro pra provar dos dois extremos

Já fui chuva e já fui terra vermelha
Já vivi, já passei, lavei, lavrei!
Já tive de todos, um nome.
Consolei e me neguei a consolar
E como a história era minha
Bati a cabeça na parede
E escrevi ao mesmo tempo

Já cuspi no prato dos "tigres"
Sem me importar se eles ficariam tristes
Já fui alimento da alma
E o seu motivo de trauma
Já fui um cavaleiro sem espadas
a viver um (não) conto de fadas

Já fui versos na água
Escorrendo em sua face
Enquanto a vida deu-me disfarce.
Mas hoje sou apenas tinta fresca
Que dormiu num belo dia
E acordou poesia

Já fui, já vou, eu sou,
Jair, e continuarei sendo

Jair Fraga Vieira Neto

domingo, 4 de outubro de 2009

Eu não tenho culpa

Fujo deste mundo
como um criminoso
sem saber pra onde
vou...

Mas não tenho culpa
De não ser sol e nem mar
Nem de não ser vento
Para acariciar-lhe a face

Eu nunca fui cerrado
Nem serra
Vale ou campo...
Passageiro em alto mar
durante a tempestade...

Não tenho culpa
de não acreditar em seus santos
Nem cultuar, ou defender as suas cores...

Não sou USA,nem Venezuela,
nem Chile, nem equador

Não tenho todas as cores,
todas as raças , todos os sabores,
Amores e desamores

Eu não tenho culpa
de estar sempre em
cima do muro
Sou o lado humano
Sou o lado escuro

Depende do barro
Nas mãos de um Ser
E na forma que ele dará...
Será o destino
Tortuoso
Escrito
e exposto
nas galerias
da vida...

Eu

Não

Tenho

Culpa...

 


Jair Fraga Vieira Neto

sábado, 3 de outubro de 2009

É que a saudade acordou-me logo cedo

A mesma luz que ofusca meus olhos
Também ofuscou-me a alma
Eu bem me lembro,
de quando tu chegaste aqui
Veio tirar-me de mim
Mostrar-me o mundo
É que é normal termos medo
Do desconhecido


Até então, fugia da vertigem
Medo da queda, mas quando caí.
Seus braços me pegaram no abraço
E meus olhos se cruzaram com os teus
Lindos olhos verdes
Tão cheio de amor,
Tão cheio de dor
Cheio de segredo

Quando estou fora de mim
Tenho o mundo a minha volta
E seus olhos agora me miravam
Como a pedir-me colo
Me perdi mais uma vez
E caí...Quase a mergulhar-me
No vazio do silêncio

Tudo ficou claro
Tudo ficou escuro
E o mundo parou

Queria atentar-me a sua história
Mas estava tão fora de mim
Tão dentro de ti
Que envolvido nada vi e nada ouvi

Seus olhos verdes piscavam
E seus lábios doces se mexiam
Preenchendo o vazio do meu silêncio

Queria estar em você
Desejava-lhe intensamente
Que até o intenso era pouco
Perto da intensidade do desejo
que sentia...

E não sabia
Ah, eu pouco sabia.
Tudo o que eu queria
Era ouvi-la falar
Pois entre as palavras
Que jogava ao ar
Vinha intercalado
O seu sorriso

Cá estou,
Longe,
Embora perto,
É que a saudade
Acordou-me logo cedo

Jair Fraga Vieira Neto

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Morrer em silêncio

"Ser poeta é viver entre o aço e a navalha"

Busquei frases em mim
Mas não tive forças
Meu coração disparava
E eu estava sangrando
não conseguia lhe falar.

Talvez fosse vergonha
da minha roupa branca ,
há pouco fora manchada pelo sangue
Que escorreu de meu peito ,
a golpes de navalha...

Não queria que você me visse daquele jeito,
Eu estava desesperado, juntava fôlego,
Mas foi bem feito morrer em silêncio...
Assim poupo-lhe palavras

Jair Fraga Vieira Neto

Memórias de um passado defecado

Poesia baseada na história de Rafael Cortes..

 

Repugna-te a morte não morrida
De um sonho que em brasa queima-te a alma
Uma idéia de um fim, toma-lhe a calma
E mesmo doendo-te lá dentro
Tu te alimenta desse sonho conturbado
Que pena

Trouxe-te o céu
E tu defeca seu passado desgraçado
Vomitando em palavras tão sofridas

Eu sou seu mel,
Mas você prefere as feridas
De uma vida que já fora destruída

Gastei sacos e sacolas
Pra limpar a sua dor
Já defecada

Mas foi perda de tempo,
Tu perdeste os bons momentos
Limpando as latrinas
Dessa vida de privada

Jair Fraga Vieira Neto

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Alimento do povo

Silenciar palavras
Dizer um não
Quebrar o vinho
Negar o pão

E a verdade?
Dissimulou-se
Em mentira

E a mentira?
Fantasiou-se
Em verdade

É aquela migalha
Alimento do povo
Que aceita a tudo
E aceita a todos

Já não é mais o mesmo
Alimento das almas
O que era verdade
Hoje é motivo de trauma

Jair Fraga Vieira Neto

sábado, 26 de setembro de 2009

Um (não) conto de fadas

Era setembro
Eu bem me lembro
Em meu cavalo branco,
muntei


Não era conto de fadas
Nem romance e nem ação
Nem eu pudera te livrar
Das garras de um dragão

Não haviam nuvens no céu
Nem abelhas flor em flor
Cinderela ou rapunzel
Somente as luzes
Que piscavam no motel

Eu não era principe
Muito menos um heroi
Meu cavalo branco
Não falava espanhol

Era Setembro
Eu bem me lembro
Você não estava na janela
Nem me jogou os seus cabelos
Nem haviam flores na sacada
Anunciando a primavera

Romeu sem Julieta
Julieta sem Romeu
Nem você e nem eu
E a semente desse conto
Simplesmente faleceu

Foi-se em miragem
Numa triste realidade
Um não conto de fadas
De um cavaleiro sem espadas

Jair Fraga Vieira Neto

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O que é saudade?

Joguei-me nas ondas
Em busca do esquecimento
Mas só restou-me a saudade
Daqueles momentos


Entreguei-me a livros
A procura de entender
O que se tratava a saudade
E de onde vinha

Descobri que era falta de alguém
Ou algo, mas o dicionário não explicava.
Pensei e pensei...Conclui enfim
Que a saudade não tem explicações

Simplesmente a sinto
Como um rombo no coração
Denominei-a como ausência

Mas também não era
Pois o que me falta
De um certo modo
Está aqui presente
Em algum lugar em mim

Rasurei as paredes da minha casa
Escrevi velhos versos que diziam
Fiz cálculos, equações
Tentando encontrar na matemática
A explicação do que eu sentia

E cheguei a conclusão enfim
Que o que é vivo não morre
Doa a quem doer,estará vivo
Em alguém, vivo em mim

A saudade não é apenas
A necessidade da presença
É o reflexo dos bons momentos
Que teimam em não sair do pensamento

Logo cheguei a uma lógica
Que sinto saudades apenas por sentir
Seja uma ausência presente
Seja a busca do meu espírito
Atrás de outra alma

Só posso dizer
Que a saudade gerou em mim
Desejo de estar no hoje
Só para vivê-la novamente
Amanhã

Jair Fraga Vieira Neto

Só pra me achar em você

 

* Poesia de parceria com Ana Paula Fumian

Me achei em seus olhos
E em seus olhos quero me perder
Quem sabe assim vc me encontre

Me entreguei ao forte abraço
E só quero que você desate
Esse nó que eu mesmo faço

Me joguei em seus beijos
Doces e cheios de desejos
Mordiscando os labios teus

Me perdi no labirinto da sua vida
Forte, presa, quase despercebida
Fui teu fel, teu mel, tua ferida

Escrevi meus versos mais intensos
Nas linhas do seu sorriso
Fiz dos seus passos lentos
O disfarce para meus deslizes

Sonhei coisas quase impossíves
Verdades, ilusões e mentiras
Só pra me perder nos teus olhos
Só pra você me achar na tua vida

Jair Fraga Vieira Neto/ Ana Paulo Fumian

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Versos Na Água

Poema em parceria com Nadine Granad...


Alguns versos caem na água;
Tu que me lês reflete-se...
E no teu sonho imagina
Como poderiam flutuar em seu rio...

Acharás-lhes beleza sequiosa?
Fará parte do ciclo hidrológico?
Lavará sua alma com poesia?
Ânsia incontentada, banhada.

Alguns versos me saem nas lágrimas
Vão escorrendo em minha face
Experimento-me enquanto o tempo
Dá uma forma, um disfarce

Você me pergunta quem sou
E o que quero com isso
Você me pergunta por que e para onde vou
Acaso pensaste que sou apenas
Uma tinta fresca que num belo dia
Dormiu e acordou poesia?

E a água leva meus versos
E os versos refletem em olhares serenos
E tu ignoras os respingos
Que molham suas vestes opacas e incoerentes.

Perguntas não respondidas em tardes úmidas.
Tu ignoras a poesia que insiste em lavar,
Alma,
Afagos,
Vidas não vãs...

Os versos...
Os versos naufragam...

Jair Fraga Vieira Neto & Nadine Granad -

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Ledo Saber

As chamas da constituição
Inquietaram-me !
Sou inquilino de meu próprio erro
Eu sou avesso ao mundo
Avesso ao avesso
Avesso a mim mesmo

Eles querem deter o saber
Pois foi um sábio quem disse
Que o sabiá ao saber que sabia
Bateu suas asas e voou

De noite injetam doses vedetes
Cultura inútil para marionetes
Educação, entre parênteses!
Alienados e afins
Ledo saber

De “educados” a cadeia está cheia
De Eduardos e Marias também
José Sarney, meu bem, já sabia
Educação é coisa de titia

E o mundo assim deu um nó
Trocando livros por cola
Escola por pó

Só o Lula que não sabe
Que quem sabe já voou
E o sabiá aos ventos
Pôde ir a busca
Do seu amor

Jair Fraga Vieira Neto

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A leveza e o peso

Como à bordar palavras
Eu tento lhe descrever
Mas tudo o que eu digo
Me parece alegoria de você

Ando voando alto
Ando com os pés no chão
Entre o bem e o mal
A luz e a escuridão
Entre a água e o fogo
O amor e a paixão
Por você

Como abordar palavras
Quando há leveza e o peso
E mesmo morrendo de amor
Ainda nos resta o medo?

Como ser inteiro
Se tudo é pela metade
Se metade de mim lhe deseja
E outra metade é saudade?

Como abordar palavras
Na sombra da claridade
Se todo amor que eu sinto
Não passa de falsa
verdade?

É tudo em dobro
E eu me desdobro
Entre o inferno e o paraíso
Só pra tentar descrever
Tudo o que eu sinto por você

Como à bordar palavras…

 

Jair Fraga Vieira Neto

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O nascimento da palavra

Tal é o que o falo exprime
Em momentos de amor sublime
Que mesmo de boca fechadas
Fala-se !

Como a versar versos inversos
Num desprazer pelo momento censurado
Ao proferir o grande amor ja consumado
Fala-se !

Mesmo no versar de sentimentos de meninos
Quando o falo ecoa ao adentrar-se na caverna
Desprovido de pudor, no vazio, lá reverbera

E desde então fala-se o homem em quimera
Cultura adquirida por tabela
Que Deus criou o verbo e a mulher de sua costela

Sem se quer passar pelo pensamento
Que fora o falo do homem o responsavel
Pelo nascimento da palavra

domingo, 23 de agosto de 2009

Declaração de amor

 

- Deixemos nossos medos para traz e vivamos em busca de momentos felizes; o amor permite viver sem amarras.
Procuremos então construir nosso castelo no concreto, pra que vento algum possa nos prejudicar.
Abandonemos o barco quantas vezes forem necessárias para nadar em busca de nossa felicidade, mesmo não sabendo pra onde a maré está nos levando, pois a vida está aí e pulsando, só esperando de nós, assumirmos o manche.
Que todos os papéis que permitem mentiras sejam queimados junto das ideologias, pois quando eu lhe digo que te quero, não levanto falsa bandeira.

Jair Fraga Vieira Neto

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O que é certo e o que é errado?

A vida se constrói independente do ser que a vive, fazemos escolhas e traçamos ideais que caem por terra justamente por não termos controle sobre nada. Todos os traçados se bifurcam, por mais retilíneos que estes sejam, sempre há dois caminhos, sempre existem possibilidades, uma escolha pode ter mais que um resultado. A vida é dual, assim como existe o bem também existe o mal, e pensem nestes dois como potências que simplesmente não existiriam se um deles faltasse.

Somos uma junção do que fomos e do que estamos. Somos metade neutra de um caminho sem previsão de resultado. Somos metade luz e metade sombra. Somos matéria bruta e estamos na terra para sermos e vivermos como seres humanos, portanto, deixemos a perfeição para os santos. E eu lhes pergunto: Se a perfeição não existe por que julgamos tanto o ser alheio?

Vejamos bem, não existem tratados que desmentem isso, o certo e o errado nascem juntos e com o passar dos anos, vemos essa dualidade cair por terra. A sociedade nos injeta a sangue frio que devemos ser certos e julgam àqueles que escolhem caminhos opostos como indivíduos curtidos no erro, mas o que é certo e o que é errado?

A religião quando bebida em doses elevadas corrói a alma do indivíduo que a bebe, é possível se encontrar por ai pessoas que as seguem e ao invés de se purificarem e se enraizarem no planeta, se julgam elevadas e melhores que seus próximos, eles mesmos se esquecem da frase citada em I Coríntios 6,12 Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma”. Sendo assim, fica claro que Deus é a própria consciência do indivíduo que vive e que o homem deve se responsabilizar por todos os seus atos sejam eles quais forem, sem se deixar dominar por nada que lhe seja prejudicial, como o ciúme, o orgulho e principalmente o preconceito.

A verdade vem sendo motivo de discórdia, de guerra e frustrações, por ser algo que está acima de nós, algo que não podemos pegar em mãos, algo imaterial, nós apenas podemos sugá-la como se suga o oxigênio. Acreditem, viver é uma verdade! aceitar que cada um tem o direito de ser e de estar, independente das crenças e valores, é a única verdade que deveria ser levada a sério para se viver em sociedade . Agora lhes pergunto: isso é certo ou é errado?

Jair Fraga Vieira Neto

Esse seu jogo de faz de conta

Poema em parceria com Luciane Lopes

Vãs palavras, eu jogo
No seu jogo de faz de conta
E pra sua vaidade
A fada é quem me conta

Contando estrelas diversas
Que quase perdeu a conta
De quantas vezes me perco
No seu jogo de faz de conta

Quando estou com você
Não porto cruz e nem espada
Nem uso de alegoria
Realidade é fantasia

Jogo palavras cruzadas,
no seu conto de fadas...
E o nó que arremata o ponto
parece mais madrugada

Na colcha que guarda o sonho,
me acho em luz desvairada
Então me perco na conta:
nós dois, somos lenda encantada...



Jair Fraga Vieira Neto & Luciane Lopes

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Ida

Cruzei a fronteira da morte
Mas não tive a sorte
De voltar pra  vida

Tenho no vão de minhas mãos
O compasso de um coração
Que um dia bateu

Mas não me chame de ida
Pois na sua volta a vida
Pode estar perdida

Jair Fraga Vieira Neto

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Traga-me

Traga-me a dose de uma morte
Para que eu acorde para a vida
E nesse acorde que soou tão dissonante
Traga-me o buraco pra que eu caia e me levante

Traga-me a rosa em sua dor,
Despeja-me em três partes,
O amor.

Me Humilhe, Me difame
Me Maltrate, me engane

Faça-me entender que sem o azar
Não tem a sorte
E nessa vida de apenas meliante
Traga-me a derrota pra que eu vença dalí em diante

Traga-me a rosa em seu amor,
Libera-me em três partes
Dessa dor

Traga-me no por do sol
Junto da lua,
E A sua imagem nua
Onde a sua boca
Se cale, e o coração
dispare

Trague-me
Apenas me trague
Feito cigarro...

Jair Fraga Vieira Neto

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Naqueles Momentos

Eu e você
Grudados feitos dois apaixonados
Suas mãos acariciam minhas costas
Sussurros leves aos meus ouvidos
Movimentos vão e vem
Beijos profundos acontecem
Quando meus olhos nos seus
Trocam sorrisos


Eu e você, Amor intenso
Forte paixão, minhas mãos em seus
cabelos,
Provocações nos ouvidos,
Frases de amor repetidas e repetidas,
A música acabando e o amor crescendo


Eu e você, eterno amor,
De mãos atadas, braços entrelaçados
Abraços apertados,
Perdidos no tempo,
Feito dois passarinhos levados
Pelo vento...

Jair Fraga Vieira Neto

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Quando o touro morreu

 

Quando o touro morreu
Coração inconformado
A vaca ficou bolada
Triste e desiludida
Ficou com medo da vida
E também faleceu


A galinha que ciscava
Em meu quintal
Coitada, passou mal
Pois pensava que era ela
Tão frondosa e tão singela
A próxima a cair na panela

O carneiro foi diferente
Morrendo de medo da morte
Não abusou de sua sorte
E simplesmente escafedeu

Logo foram todos meus animais
Até o pobre do meu cachorro
Mostrou-se o mais racional
Foi-se a noite invisível
Temendo ser nada insubstituível

Agora estou eu na fazenda
Chorando perdas e danos
Sozinho apenas me lembro
Deste triste engano
Eles nem pensaram
Que sou vegetariano

Jair Fraga Vieira Neto

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Até a ultima gota

Te ofereci o meu amor, sereia
Sugar seu sangue direto da veia
Ser seu vampiro
Destilar teu sexo
Dizer palavras a fio
Coisas sem nexo


O vento sopra, meu amor, centeia
Lá longe nas ondas do mar
Te vejo, sereia
Enquanto eu aqui em terra firme
Faço castelos de areia


Do teu amor quero beber
Até a ultima gota
Dizer palavras sem pudor
Te deixar louca


Ser teu sublime céu em tempestade
Beber da fruta, fonte, o acido
Que ira deixar o teu sabor em minha boca

Jair Fraga Vieira Neto

Fora desta alma de poeta tão sofrida

Como poeta, eu me perco nas palavras
Como ser humano, nos sentidos
São dois lados singulares, divididos
E únicos de uma mesma face...

Sem disfarce, falo o que penso
E pensando falo o que sinto
Poeta é fingidor, porém não minto
E não me escondo neste escombro solitário
Apesar de iludir-me quando quero

Saliento com paciência
Degustando amor aos pedaços
Pela poesia que há de nascer.

Mas noutra parte viva
Fora desta alma de poeta
Tão sofrida
Há de viver em mim
Também a vida

Jair Fraga Vieira Neto

O lado avesso da agonia

Menina não chores não
Foi mesmo um sábio quem disse
Que todo recomeço precisa de um fim
Ao menos muitos não pra construir um sim


Tudo pode ser visto pelo avesso da agonia
É assim que se tranforma a dor em alegria


Enxugue estas lagrimas, só tu pode calar
O lado escuro que a aranha fia
Nas lembranças dessa vã filosofia

Estas tristes lembranças, ó pequena criança
Foram apenas pra te fazer entrar na dança
Na ciranda da vida , vamos todos cirandar
Dança só, quem não tem asas pra voar

Jair Fraga Vieira Neto

Índia

Despida das roupagens que se veste,
Sua imagem, seu semblante, resplandece,
Meus sentimentos por ti tecem
Na calada dessa noite que escurece


Tirar-te-ei do véu da imagem
Desta roupa que te veste na passagem
E pela rua irei mostrar tua paisagem
Tão nua quanto ao corpo de um selvagem
Sem pudor dirão os homens, que milagre.

Sorrindo com os peitos por amostra
O vento irá soprar os seus cabelos
Enquanto a fragata encalha ao ver-te índia
Irão dizer:

De longe primavera,
Linda singela donzela,
De perto vulcão em erupção,
Tão quente quanto o calor do verão.

Jair Fraga Vieira Neto

sábado, 1 de agosto de 2009

Foi-se a vida(Jair Fraga )

Foi-se a vida
Em ferida
Despedida
Desmedida
Desregrada

Foi-se em versos
Sem prosa
Em palavras
Não faladas

Foi sem foice
Tomado por pragas
Ervas daninhas
Do ciumes, orgulho,
Coisas mesquinhas

Foi-se a sorte
E a morte
Foi-se em vida

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Trilogia para o fim de uma história sem começo (Jair Fraga Vieira Neto)

1ª Parte

Farto eu me despeço
Frente as moscas que voam sob a minha cabeça fétida
Meu corpo em pleno estado latente de decomposição
Uma parte de mim olha pra ti, viva, ainda bela
Sob meus pés em pranto, alva donzela
As lagrimas ainda em seu rosto
Na sua boca o gosto do beijo que não deu
Um suspiro a anunciar, que neste segundo,
Eu já não pertenço mais ao seu mundo...

Eu de cima lhe olho
Ajoelhada sob meus pés
Na sua boca sorriso infalível
Tentando não sofrer
Nas suas mãos as rosas
Que um dia eu poderia lhe dar
Ofereci a vida e você preferiu voar

Aqui jaz um homem
finalmente longe
Deste corpo
Olhando-te de cima
Fingindo-se de morto
No acaso vago,
silencio profundo
Preso em mim mesmo,
resmungo.

2ª Parte

No dia da minha morte, eu nasci,
acordei pra vida e diante da ferida
Vi dois olhos se abrirem
Já sem véus
Não havia mascaras
Sentia uma paz
que não sabia de onde vinha
Um aroma
Uma flor
Um Amor

Eu, quando na terra estava
Não sabia que era loucura
O que em mim se encontrava
Meu coração doía
Minha matéria queria
Eu não conseguia
Forçado, Amordaçado
Fui atropelado
Não por um veiculo
Mas pela teimosia
Que em minha veia corria

Eu procurava ajuda
Mas ninguém me ouvia
Tentei resistir
Mas o meu sangue caia
Quente, Vermelho e molhado
Minha vida, desceu pelo ralo
Como um liquido, fui dissolvido
Por conta do meu alto libido

A voz que sai da minha garGanta fala
Na língua a bala de revolver
E o coração declara
Não ha outra opção
viver ou morrer?
Nesta altura da vida
Já não se pode nascer

É preciso ver pra crer
Estar pra ser
Sonhar pra amar
Crescer, doer, amadurecer

Não adianta nem chorar
Leite derramado a terra absorve
Lagrimas de vidro secam,
Tempo perdido!
Com brilho é que se vÊ
Reflexo invertido

3° Parte

Eu não queria que fosse assim
Reservava muitas coisas pra você e pra mim
Flores, Amores, Paisagens
Lugares a serem desvendados
Juntos, sempre juntos
Lado a Lado
Como duas peças de Quebra-Cabeças
Que se encaixam

Mas foi feita uma escolha
Eu disse sim e você não
Agora já é tarde
Será que você me entende?
Com o coração não se brinca

Estou, pois, consciente
Que andou sonhando com dente 
Mas foi o meu amor quem
Morreu

domingo, 12 de julho de 2009

O Tempo e Eu(Jair Fraga)

Eu não nasci pra ser apenas um grão areia na ampulheta
E ser engolido aos poucos pelo espaço e tempo
Eu não sou semente, nem centelha
E, nem aranha pra me emaranhar em mais uma teia
Eu já fui criança, cirandei pra entrar na dança
Foi na balança da vida que eu aprendi a dividir

Eu sou impar
Mas não sou um só
São varias partes de mim
Que se repartem e se refletem
Como no espelho do espaço e tempo
Onde me olho e me vejo
Repleto de Luz
Repleto de sombra
De cruz e de espada

Subi na vida de madrugada
E foi na varanda que vi o sol nascer
Durante a virada

Eu já botei meu pé na estrada
Mas não sou andarilho
E nem sou trem  pra seguir a trilho

Eu já olhei pro relógio
E perguntei ao tempo:
- Será que pelo menos neste momento
O senhor poderia me falar
Por que é que anda tão devagar?

E foi assustado que ele me disse:
- Por acaso tu pensaste,
Que o tempo não pode falar
E que é culpa minha de eu andar tão devagar?!
Minha vida é um tédio ,
Eu sou escravo do relógio

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Inovação (Jair Fraga )

Estar ou não estar? Eis a questão...
O ser humano por si só já é passageiro...
É perecível...
De vida curta...
Inovamos de espermas...
Para fetos...
De fetos para bebes...
De bebes para crianças...
De crianças para adolescentes...
De adolescentes para adultos...
Inovamos a cada hora que pensamos coisas novas...
A cada ferida que se transforma em cicatriz,
O corpo ja se inova...
Quando um corte faz sangrar,
E o sangue coagula...
Nós inovamos...
Portanto não somos pra sempre os mesmos...
Nós estamos...
E por estar só de passagem...
A inovação é permanente...
Inovamos a cada dente que cai
E outro que nasce...
A cada ser que nos aparece...
Nós nos inovamos...
Pra ter o encaixe...
Lapindando-se como pedras
Preciosas, para sempre inovarmos
A nós mesmos...
Agora te pergunto...
Ser ou não ser?
Estar ou não estar?
Eis a questão

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Dialogo ao acaso

- Vivendo de música e caipivodka...
- Embriaguei-me de glória,
  Pois não havia vinho tinto a altura
  Da minha satisfação.
  Embriaguei-me da vitória,
  Depois de me fartar de tanta alegria...
- hum... continue inspirado
- Deixo que o vento sopre
  Deixo que o corpo sinta
  Deixo que vente onde quer
  Quanto mais forte é o vento
  Mais elevado é o pensamento
- autoentrevista
- transformação do silêncio em poesia
- Eu levanto a bandeira do título da sua obra...
simplificar ao máximo até acabar palavra.
monossilábica.
- Dobro a esquina e escrevo enquanto pensas que aqui estou
- Estou frágil como a víbora de Nietzsche.
- Desenhando forma e conteúdo
  Como sopa de letras
  Costuradas no veludo
- E quem vai pagar a conta?
- O mesmo que apagar a luz!
- Minha boca não tem costura.
- A vida não pára
- barulho de mouse não é sonata.
- A lingua da fechadura não faz fofoca
- O arrependimento é uma covardia... rs
- Diga-me com quem tu andas, que lhe direi quem te acompanhas
- Inventar palavras e fazer frases é bom. Ter "presença de espírito" é essencial.
- Presente em corpo e alma
- Você é bom nisso
- Bom mesmo é o vento que sopra
- Bom mesmo é musica francesa
- Bom mesmo é perfume de mulher aos olhos dos cegos
- Bom mesmo é ser cego: ao mundo
- Bom mesmo é ter olhos abertos à beleza do mundo
-  Excetuando-se as mulheres, no mundo não há muita coisa bonita... joaninhas talvez.
- Joaninhas voam!
- Sem vassoura. Será que existe mulher alada?
- As querubins?
- Vamos discutir o sexo dos anjos...
- Vamos dar nome a fome
- Vamos visitar jardins.
- Vamos plantar imaginação e sonho
- Vamos cair nos braços de morfeu.
- Vamos nos entregar aos lençois do sono
- Eu acho que não vou pagar a conta
- É, vai ficar pra quem fechar a porta
- Eu abro as janelas
- Eu, um sorriso
- Eu sou do tipo que desencanta a meia noite
- Dor…
- Prazer. Coisas desgastadas...
- Até que acabe a ultima palavra
- Adeusão
- Adormir
- E no tardar, estou eu a limpar os jargões e palavras deixadas para tras, e como sempre pra pagar a conta e apagar as luzes, afinal a solidão é minha anfitriã...
- Retira, pois, teus copos
  Sem deixar, então, vestigios de poeira
  Pois sob a mesa irei botar vasos de flores
  Que hão de anunciar o novo dia
  E faz deste silêncio, poesia…

terça-feira, 23 de junho de 2009

Algumas músicas de parceria


Encontre mais músicas como esta em Clube Caiubi de Compositores


No dia da minha morte
Letra de Jair Fraga Vieira Neto
Arranjos e voz de Danilo


Terra Vermelha-
Letra de Jair Fraga Vieira Neto
Arranjos e voz de Danilo Briz

O som do silêncio –
letra de Jair Fraga Vieira Neto inspirada na frase de Danilo Briz : “Uma Poesia pela vida haverá de ser sem palavras…”
Marco Fonseca- Voz e Melodia

Leveza e peso
Letra de Jair Fraga Vieira Neto
Arranjos e voz de Cardo Peixoto

Paixão e Palavra de quem mente –
Jair Fraga Vieira Neto - Letra
Vuldembergue Farias - Voz e Melodia
http://clubecaiubi.ning.com/profile/VuldembergueFarias

_____________________________________________________

As demais sou eu quem interpreta ...

lembrando, estou a procura de alguem para gravar, portanto não prestem atenção em minha bela voz,rsrsrs...

Viva e deixe viver; Escravo do Relógio; Apartamento 22; A diferença não tem graça - Letra de Jair Fraga Vieira Neto

Espero que gostem, obrigado

Parábola(Poesia) do verdadeiro caçador/vencedor

Verdadeiro caçador
Se veste de cordeiro
Pra vender pele do lobo
Que faminto não repara a vestimenta
Daquele homem fantasiado de fome
A esperar que o predador se torne presa

Os olhos cegos de desejo em determinada crença
Faz de um instinto sublime uma sentença

Espera, pois, a hora certa de agir
A paciência é a melhor virtude do homem
Não importa o tamanho da fome
Sede como o caçador
Que pensadora, pensa antes de agir
A inspiração virá na hora certa
Quem faz assim, é certo que ira conseguir.

E se prepara
Pois que a vida é uma batalha
Onde não existe perdedor
E vencedor é tudo que vive
E vivendo entre cicatriz e ferida
Se deixa jogar o tão sonhado
Jogo da vida.

Jair Fraga Vieira Neto

domingo, 24 de maio de 2009

A poesia e o vento(Jair Fraga)

A poesia há de ser como o vento
Tem de soprar onde quer
Nem mesmo um olhar atento
Pode ver o vento que sopra
Mas o corpo sente
O vento que toca
Um amigo meu dizia:
“Uma poesia pela vida
Haverá de ser sem palavras”
Sem palavras é tudo que o corpo sente
E não se descreve, há de ser como o sentimento
Que apenas se consente.

A poesia tem em si o pulsar do coração
E quando é o coração que fala
É alma quem sente
A poesia é a linguagem da alma
É a interação da matéria com o espírito
Posso tentar demonstrar-me em palavras
Transformar a minha vida toda em poesia
Retirar da ferida uma bela magia
Posso descrever-lhe o vento
Mas seria como lhes pedir
Que leiam meus pensamentos

A obrigação de um poeta
Em primeiro lugar
É falar o que não se vê
Mas o que o corpo sente
Ser poeta é ser pecador
E não santo!
Um santo se calaria
Diante de tudo.

Deixo que o vento sopre
Deixo que o corpo sinta
Deixo que vente onde quer
Quanto mais forte é o vento
Mais elevado é o pensamento

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Só o amor

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Amar(Jair Fraga Vieira Neto)

Amar é permitir-se que outro faça parte de ti, portanto não é se preocupar com escolhas, se é sim ou não, sul o norte, é ter dentro de si mesmo o que aparentemente estaria fora. Amar em outras palavras é respeitar decisões, aceitar opiniões contrárias, deixar voar o pássaro que se voltara diante de ti por desejo próprio.
Amor é construir no concreto um templo por onde apenas orações verdadeiras podem ser faladas, sem parábolas, sem sistemas, sem vergonha...
Amor em outrora é sentimento que mais próximo está de Deus, circular perante a terra, como se a terra não fosse apenas aquilo em que se pisa os pés, mas onde seus pés enraízam formando assim um elo entre o espírito e a matéria...
Amor é a água mole que bate na pedra dura e tanto bate até que fura. Amor é isso, é aquilo, ora, amor é essencial para nossa evolução.

Onde a verdade fora enterrada(Jair Fraga)

Este buraco que o tempo fez
É sinal de vulnerabilidade
Dos homens

É uma cova aberta
Praia deserta
Sem sol
Nem mar

Vida perdida
Ferida que não quer
Cicatrizar

Esta cova, porém
É o buraco onde ninguém
Ousará ser enterrado

É a cova do homem
Fingindo inocente
Que mata a ferro e fogo
O filho da gente

É a cova também
Do homem doente
Que diz o que não é
Pra roubar a gente

Nessa cova eu enterrei
A minha vida,
Quatro pedras
Também meu coração.

Sete palmos de terra jogarão em cima
E sobre ela irão fazer a romaria

As pessoas que virão lá da Bahia
Dirão que nada tem a ver com isso

Mas o que dizem já não se sabe, se é verdade
Pois ela está agora enterrada
Na vaidade dos homens fora escondida

As lagrimas que um pai
Chorou um dia
Diante dos homens
Que estavam em romaria

Afogarão as magoas
Daqueles que lá
viverem um dia

E sob a cova nascerá um novo homem
Que irá salvar a nós de todo pecado...

Mas se existe uma verdade,
Já fora enterrada
Em sete palmos de terra...

Jair Fraga Vieira Neto

sábado, 9 de maio de 2009

Terra vermelha(Jair Fraga)

Terra vermelha,
Pra onde vais
Quando a chuva lava?
Pra onde vais
Quando o vento sopra?
Pra onde vais
Quando o homem lavra?
Tu és como a palavras
Que desaba?

Terra vermelha,
Tu se resseca quando o sol te toca?
Pra onde vai o gado que por ti passa?
Pra onde vai?
Tu és a mancha dos homens
Da cor do sangue,
Tem espírito do mangue?

Vento que por ti passou
E te leva, chuva que te rega
Que te lava, há de lavar também
A alma daqueles que nada têm.

Tu sente quando o homem pisa?
Tu sentes a energia ruim da guerra?
Tu que és terra, terra vermelha
Sentes orgulho de ser da cor do sangue
Mesmo quando o sangue que se derrama
É de alguém inocente?
Esse sangue que a chuva não lava

Lava, Rega, Lavra, Passa,
Estejas vermelha
Sempre vermelha
Terra vermelha
Pois na semente
Que em ti plantei
Ao menos uma centelha
Há de virar flor
Pois na minha veia corre
O sangue vermelho do amor.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Aqui ou acolá(Jair Fraga)

Cá estou, aqui, onde, não sei,
Se é o vento que sopra,
Se é o homem que toca
Na ponta de um lápis
No tempo que passa
Na linha que escrevo
Sem sair da linha.

Sou estrela
Sou cadente
Sou poeta indecente
Traço na tangente
Um risco inconsciente

O som que escuta
Não sabe quem é
Não tenho nome
Sou vento que sopra
Sem sobrenome
Meu endereço é ali
É acolá

Sou mulher e sou homem
Sou o tudo e o nada
Não tente me adivinhar
Dobro a esquina e escrevo
Enquanto pensas que aqui estou
Estou aqui ou acolá

terça-feira, 21 de abril de 2009

Palavras de amor(Jair Fraga)

Palavras de amor são apenas palavras,
quando os olhos não se encontram,
quando o coração não sente,
é como dizer-te ao vento e esperar
que Deus invente alguma forma de a ti chegar,
soprando nos cabelos, as caricias que eu mesmo poderia fazer.

É como desejar em seus olhos ver
o que só eu posso ver
e desejar em meus encantos,
que um anjo venha passar
anunciando sem um toque,
um amor puro que nasce
apenas por se imaginar.

É desejar-te de perto,
é sonhar por puro sonhar,
é desejar-te mesmo distante
quando se encontra em outro lugar.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O porque do Lado Escuro da Face(Jair Fraga)

jair fragaTitulo um tanto sombrio, não acham?
Foi isso mesmo que pensei quando resolvi dar esse nome ao blog, não como alguém que se encontra nas trevas, nem como um assassino voraz comedor de cérebro, quem me conhece sabe que não sou destes e nem tenho a intenção de modo algum em ensinar a terem más atitudes; quebro minhas mãos e não escrevo mais se for outra a verdade.
O lado escuro da face foi bem pensado porque o ser humano gosta de coisas sombrias, tudo que é sombrio os atrai, mesmo quem não assume, fica curioso diante das trevas, é exatamente neste choque entre o bem e o mau, que eu pretendo fazer a minha história. Pensem e reparem, que eu me preocupei com o equilíbrio, como se fosse costurando branco no preto, duma forma em que eles se interajam.

”Desenhando forma e conteúdo
Como sopa de letras
Costuradas no veludo”

Minha intenção aqui foi somente a de falar para quem se encontra em preconceito, que se não houvesse o preto não existiria o branco, se não houvesse a luz só haveria a escuridão. O lado escuro da face só existe, pois que ha também o lado claro:
É nessa conexão entre um e outro que se vê o humano, pois que o certo e o errado nascem juntos, a parte deles é que se traça o caminho.

"Mas Deus sabe o que faz,
Criou o certo e o errado
Pra compreendermos que pra ser santo
É preciso sofrer pelo pecado,
Como se separasse o joio do trigo,
Estipulou erros e conseqüências,
Fez com que em sua justiça,
Todo crime tivesse uma sentença.”

Jair Fraga.

terça-feira, 14 de abril de 2009

To bem, tu ta?

To bem,
Tu ta?
Tu ta também?
Se tu não ta,
Amem Amem

Diante da morte(Jair Fraga)

Diante da morte
Até Deus duvida
Quem é que não tem
Medo da vida?

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O lado escuro da face( Jair Fraga)

O lado escuro da face,
Pode por sua vez ser mais claro do que pensamos
Pois que o lado escuro é o lado humano
Sendo o outro lado clareado pela luz divina


Força da Paixão(Jair Fraga)

Haha, vocês diriam na certa que sou como os outros poetas, daqueles entregues à força da paixão, vocês de fato pensariam, que seus tempos são preciosos demais para ouvir a mesma baboseira de sempre, de um fulano que se apaixonada perdidamente pela cicrana.
Pois bem, sinto lhes informar, que não foi pra isso que vim e nem tenho a intenção de me expor a tal ponto de vocês dizerem que estou apaixonado por alguém, sim, eu estou, mas não vem ao caso isso agora, pois lhes trago uma nova teoria que poderá ou não virar um campo de estudo: O da energia da paixão!
Mas antes mesmo de jogar palavras ao ar, antes mesmo de lhes poluir com idéias inúteis, vou lhes dar um exemplo de troca de energia, pois queira ou não queira, vivemos de trocas de energias boas ou ruins; Um exemplo bem aplicável é o da prece, que quando nos colocamos a orar por alguém, criamos uma corrente fluídica onde depositamos energias boas, sentimentos como o amor, caridade, paz, paixão. . . Sim! Cheguei onde queria chegar. A paixão também cria uma corrente, que repele ou atrai, dependendo da polaridade dos sentimentos, humnnnn…
Interessante saber que em certos casos as pessoas sentem-se como se afagadas suavemente na face pela energia da paixão, porém como tudo é possível, o não também é possível, noutros casos esta energia acaba por sufocar as pessoas que são repelidas ao invés de atraídas. As primeiras acabam por se entregar às energias que lhes afagam suavemente a face, criando assim um elo de ligação tão forte que ambas as partes são atraídas uma a outra e só se desgrudam quando a energia da paixão se extinguir, podendo assim ou não virar uma energia sem descrição, que eu não saberia explicar, a energia do amor…
Sabendo disso, deveríamos aprender a polarizar nossas energias de forma adequada, para atraímos não só à pessoas que estamos apaixonados, mas tudo o que desejarmos, num piscar de olhos…
É assim que eu suponho que funciona a paixão, como eu disse logo acima, é apenas uma teoria, não quero levantar aqui falsas verdades, quero estar aberto para cada opinião de vocês… muito obrigado!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Equilibrio(Jair Fraga)

equilibrio

O ser humano tem a necessidade de pertencer a um grupo, mas existem leis a serem cumpridas, e uma das leis impostas pra quem possui esta necessidade, é a de respeitar o próximo como respeitaria a si mesmo; o sentimento da justiça, nós carregamos desde o momento em que nos assentamos neste vale obscuro terrestre, mas vale lembrar que existe uma linha traçada no horizonte chamada respeito, dali você não pode ultrapassar, pois se ultrapassada, um verdadeiro desequilíbrio acontece. Lembremos sempre dessas singelas palavras: - Se um homem te bater na face esquerda, dê a ele à direita. Pois nela está o equilíbrio...
Vejamos então, quando uma pessoa nos agride, é tendência natural, que com isso, a balança penda para um lado causando um leve desequilíbrio, daí, quando retrucamos, a balança pende pro nosso lado, deixando o outro lado lá em cima e alem de perdermos a razão, perdemos também a possibilidade de encontrarmos o equilíbrio, coisa tão necessárias quanto a água que bebemos... Equilíbrio é amor e é respeito, devemos anexar essas idéias na cabeça, pois todos vivemos no planeta terra, lugar de varias raças, credos e caras... Quando tracejamos a linha do respeito no horizonte, dali não passamos, nos mantemos equilibrados, pois o equilíbrio é a chave essencial para a existência, lembremo-nos sempre que Jesus morreu na cruz, para nos provar que é possível encontrar o equilíbrio...

Diga-me o que tu faz, que eu lhe direi quem te acompanha (Jair Fraga)

diga-me o que tu faz, que eu lhe direi quem te acompanha

Sem titulo, sem nome, sem vida

Por ventura eu escrevo neste bloco de papel A3, no verso, na contra capa – não liguem – talvez a minha vida esteja do avesso, talvez a confusão não me deixe discernir o certo do errado, por isso a asperesa desse papel quando me ponho a escrever me faz lembrar um pouco da minha vida, exalta a sensação do tato , recuperando-me umas das cinco sensações que quase nem sinto. Cada minuto é uma extensão de tempo, sendo cada segundo precioso pra quem vive , cada hora não desenha em si um relógio, mas escraviza a verdade e o tempo que se passa… Meu tempo aqui é limitado, infelizmente tem de ser assim , pra que eu não me acostume a somente falar com as paredes, trancafiado nessa jaula, as horas não passam, me sinto bem como um animal amordaçado, como um pássaro que apenas canta na gaiola por esperar que seu canto maior seja o canto da liberdade. Eu bem sei que falar que sou inocente é uma inverdade para uns, pois aqui é algo que muitos falam, portanto não escrevo pela inocência e nem espero por um milagre maior, a minha felicidade é sentir o sol que entra pela janela e observar de longe pessoas livres. Difícil reconhecermos nossos próprios erros e se eu tivesse cometido erro algum, também não falaria aos ventos, pois o vento sopra onde quer e não posso saber até onde vai.

Eu olho pela janela, sinto o vento que toca a minha cara, por um momento posso fechar meus olhos e me imaginar feito um pássaro que voa , sentindo a brisa suave no rosto e furando as nuvens, mas logo acordo com o estrondo causado pelo aço, de mais um falso inocente que aqui chega. Fico pensando na vida, se é que posso dizer que tenho, se é que realmente quem vive sabe que vive, eu não sei, talvez agora eu imagine realmente o que é viver, já que aqui tudo se confunde, tudo é tão diferente. Diria que é uma reunião de animais que se assemelham a humanos, pois aqui foram trancafiados pelos impulsos e instintos dignos de seres que não sabem raciocinar direito, de seres que viveram por um fio e que este fio fora ligado por alguém maior ao presente destino. Se os humanos se letrassem mais, talvez tivessem estudado em física, que toda ação tem uma reação, mas não vem ao caso dizer, por que aqui se encontram animais que pensam que dois menos um é dois, que pensam que a vida foi feita para a morte;outros até sabem disso intimamente e quiseram assim cumprir com o serviço de Deus, julgando-se profetas da vida, ou últimos santos, julgando-se perfeitos e responsáveis por um mundo melhor sem maldades, fazendo assim o oposto do que fora ensinado.

Agora me ponho a pensar que o movimento é algo importante, que caminhar pelo caminho da luz, embora mais difícil, não nos leva a tal resultado. O meu tempo aqui é curto, logo logo um idiota, poderá tentar roubar minha caneta pra fazer tatuagens de cristo pelo corpo, como se isso o fosse inocentar. Eu não sou diferente de ninguém que esta aqui, tenho lá minhas culpas e também serei condenado. A diferença e a sorte, é que um dia eu fui letrado.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Nave, Maria(Jair Fraga)

Vou de nave,
Maria,
Porque a ave
Não me aguenta

Um ônibus chamado vida(Jair Fraga)

O Sol se pôs, dando lugar a grandiosa lua, o azul daquela tarde fora trocado pela imensa manta de estrelas, já podia se ouvir os animais a uivar para contemplar a noite.

A vida é como o despertar das estrelas, o sol não é permanente no céu, nada é permanente na vida, nem a tristeza, nem a alegria, somos todos passageiros. A quem diga na terra, fui completamente feliz, feliz é aquele que consegue tocar sua vida a frente, que sofre arranhões pelo caminho, que da de cara com o muro e mesmo ferido e machucado, ainda consegue retirar proveito das dores que sofreu. A alegria é um estado de espírito impermanente, assim como a tristeza. Nada na terra dura para sempre.

Imaginem a vida como um grandioso ônibus sem destino, ele sobe monte e desce monte, mas você não sabe ao certo para onde ele esta te levando. A viagem nem sempre é tranqüila, assim como a vida; podemos enfrentar tempestades e buracos pelo caminho, mas nada impede o ônibus de andar, ele continua nos levando e nossa obrigação como passageiros é estarmos sempre atentos . O buraco faz parte do caminho, assim como a dor faz da vida, por isso digo meus caros irmãos, estejamos sempre atentos:

Um sofrimento vivido hoje tem de nos servir como ensinamento para não sofrermos da mesma coisa no futuro. Tudo é experiência, tudo é valido, aqui na terra não existe nada que não tiramos proveito.

Não importam os arranhões, não importa a dor ou a felicidade, o que importa na verdade, é a experiência que levaremos daí. É isso que vai determinar o que seremos no futuro. A única coisa que é realmente importante, é o que conseguimos aprender com determinadas situações, sejam elas de dor profunda ou de alegria iminente. “Quem vive de ferida, não cicatriza”.

Estar ou não estar? eis a questão(Jair Fraga)

O ser humano é o único animal que possui a capacidade de mudar, é também, o único que possui a ignorância de se arrastar pelo mundo com a ilusão de que se é necessário serem sempre os mesmos. No entanto a realidade é outra, a linha da mudança é um muro baixo, que qualquer um pode ultrapassar, basta querer e, a prova disso é a própria natureza, que vive em completo estado de mudança e nem é preciso olhar pra longe pra perceber, basta olhar para a árvore, um dia ela foi uma semente e não poderia deixar de mencionar a borboleta, que é símbolo da mudança, lembre-se que aquela linda borboleta, um dia foi um casulo e antes de ser um casulo, foi uma lesma horrenda.
O homem precisa mudar pra evoluir, pois quando o homem muda, o mundo muda.
E pra incrementar, deixo-lhes com as sabias palavras de Goethe:
"Em relação a todos os atos de iniciativa e de criação existe uma verdade elementar no momento em que nos compromissamos, a providência também se põe em movimento. Tudo um fluir de acontecimento surge a nosso favor. Como resultado da decisão, seguem todas as formas imprevistas de coincidência, encontros ou ajuda, que nenhum homem jamais poderia ter sonhado encontrar. Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar, você pode começar. A coragem contem, em si mesma, o poder, o gênio e a magia."
Por isso lhes digo:
Estar ou não estar?
Vai depender de vocês

A vida é uma escola(Jair Fraga)

Olhou para o publico e colocou a mão dentro da maleta, com todo carinho pegou os papeis que estavam lá dentro, aquilo não valia ouro para nós que somos meros materialistas, mas para aquele homem, os papeis continham a solução para uma vida melhor, valia para ele como moedas de ouro. Cada folha fora minuciosamente trabalhada, eram mensagens sábias, acreditava ele que ali estaria a cura.
O homem nos disse:
“Esta aí a jogada da vida, não ganhamos ou perdemos, nos apenas aprendemos”.
“Só isso?” Pensou o povo, a diversidade se indignou com o homem, pois esperavam que ele fosse a solução. Muitos ali saíram de suas casas ou abandonaram o trabalho para comparecer, para o homem dizer que não existe vencedor e perdedor, para o homem dizer isso e somente isso!
É uma pena eles não entenderem a mensagem do homem, pois que não sabiam o quanto essa simples mensagem é valiosa.
“Esta aí a jogada da vida”, prestem atenção, não ganhamos ou perdemos, nos estamos aqui na terra apenas com o objetivo de aprender e nada mais. Aquele que não aprender a lição sofrerá uma eternidade até que aprenda. Entenda, o homem tinha toda razão...Foi neste momento que ele se sentou e com a mão na cabeça, se lembrou de tudo que passou para chegar naquelas simples palavras e se lembrou também do motivo pelo qual aquelas palavras eram tão valiosas.
Tomou coragem e foi recitando sua historia para o povo que ali estavam a esperá-lo:
Eu não sou santo, não sou herói, apenas aprendi a viver; só eu sei o quanto isso me doeu, mas agora estou vivo, velho e feliz. Posso até morrer hoje se assim Deus quiser e se ele consentir pretendo ensinar para todos os seres viventes tudo o que com a vida aprendi.
Eu era novo, era jovem, “que saudade daquele tempo”, eu tinha em minhas mãos todo o poder e não sabia, alias, nem queria saber, tinha o poder do tempo e do amor, mas não sabia como conduzi-los ao sucesso.
Foi quando completei meus 21 anos. Eu não tinha nada, eu estava desempregado, solteiro e sozinho no mundo, a solidão enfiara-me num buraco. Deus sempre esteve do meu lado me falando a solução e só quando a situação mordeu a minha bunda, que eu entendi tudo que Deus tentava me dizer.
Eu tenho muito a falar, não posso lhes dizer como aprendi, apenas posso mostrar-lhes as minhas frases e esperar que um dia vocês percebam, depois das experiências vividas, que são frases reais; viver é criar suas próprias frases, é montar quebra-cabeça, é aprender para ensinar, é entender o tempo. E eu entendo hoje, que tudo tem seu tempo. Sou velho, confesso que demorei a entender, um dia vocês serão velhos como eu. Um dia quem sabe vocês já não sofrerão mais, quando conseguirem aprender finalmente o poder dessas frases que lhes digo, mas entender é viver, dificilmente chegaremos ao entendimento se não vivenciarmos e se não passarmos pelo processo de aprendizagem, pois a vida, meus caros amigos, a vida é uma escola.

O amor é uma via de mão dupla(Jair Fraga)

Às vezes me pergunto pra onde meus pés estão me conduzindo... Vejo minha vida passar diante dos meus olhos e quase nem vejo as obras que eu faço. A vida é uma construção, é um longo caminho de aprendizagem, nós caímos, nos levantamos, olhamos para traz e quase nem percebemos o quão importante é o tombo. A ferida as vezes é profunda, demora a cicatrizar, mas quanto maior a dor, maior é a aprendizagem e não é sábio falar, que é necessário cair, para aprender a levantar.
A sabedoria está no caminho, está na entrelinha, às vezes num simples rabisco na parede e muito já foi dito, muito!Porém, pouco foi escutado!
Persistir num erro é burrice! Sofrer por alguém que não sabe doar, também é burrice!
Muitos poetas já disseram que o amor haveria de ser eterno e não desconfio da veracidade dessas palavras, hoje apenas acrescento: Pro amor ser eterno, ele tem que ser que nem uma via de mão dupla, é dando e recebendo, falando e ouvindo, entende? Assim é o amor!
Olhai com os olhos da razão e deixai que a luz da sabedoria clareie seu caminho, que assim verás que quando nos entregamos de corpo e alma para outrem, nossos pés ficam comprometidos e assim é impossível caminhar, verás também que quando damos a mão, caminhamos unidos, podendo assim evoluir juntos.
E assim tem de ser o amor e assim será!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Animal Irracional(Jair Fraga)

Felizes são os animais
Que só não são racionais
Por não possuirem pecados

domingo, 5 de abril de 2009

Lá fora os pássaros farão serenata(Jair Fraga)

Bom dia, boa tarde ou boa noite, já que eu não posso saber a que horas este texto esta sendo lido, deixo os meus cumprimentos. Em minha casa aprendi que educação é algo primordial a todos os seres viventes e que o respeito por cada um ser terrestre é a chave para todas as portas fechadas - mas cá entre nós – venho apenas comentar, pois que eu não sou tão correto pra lhes escrever um manual de boa conduta.
E se eu escrevo é justamente por não me achar melhor do que ninguém, isso me limitaria a ter sempre de impressionar e nem sempre é possível causar impacto em todos que lêem. Por isso resolvi hoje, escrever como qualquer um, dentro dos meus limites e limitações, pois que eu sou humano e não santo e antes mesmo de dizer algo que me comprometa, eu não desejo se quer ser santificado, pois que pra ser santo, é preciso antes ser humano e pra ser humano – ah, pra isso, não tenho palavras que expliquem maneiras corretas de se ser, apenas digo e redigo, mesmo sabendo que repetições empobrecem os textos, para ser humano basta estar vivo e pra viver basta possuir o direito de fazer escolhas, portanto cabe a eu escolher o meu caminho.
Se as palavras ecoam em seus ouvidos é por que ainda estão vivos pra ler, creio eu que mortos não lêem; E o melhor a se fazer, é viver! Por isso não se obriguem a ler tudo até o final, quando lá fora um dia maravilhoso pode estar a espera de vocês e mortos não aproveitam o sol.
Lá fora os pássaros irão lhes fazer serenatas de boas vindas, pois é por isso que os pássaros cantam alegremente, a vida é uma dádiva, mesmo eles estando na mira dos estilingues joviais e correndo risco de serem esmagados a qualquer hora pelo pára-choque de um carro; nunca recebi noticia do mundo animal de que um pássaro inconformado com a vida resolvera parar de cantar e voar, nunca! Nossos olhos vêem o contrario, os pássaros cantam e encantam. Sejamos como eles, iniciando hoje com uma nova filosofia de vida, não é preciso ser pássaro para voar, não é preciso ser pássaro para ser feliz e cantar, basta a cada segundo que passa, entendermos que o segredo está na vida, certamente mortos nunca poderão saber a felicidade que é viver.

sábado, 4 de abril de 2009

Ultimo conselho de Zé Consolácio

Olá, não tenho nome e nem quero ser identificado, este é um bom conselho que lhes dou e talvez o ultimo e espero que levem em frente, na verdade se conselho fosse bom não seria dado e eu aprendi a duras penas que essa frase realmente tem sentido. Como pretendo aqui revelar a minha história, inventarei um nome pra mim, pois é preciso um artifício para que o leitor se ligue ao personagem, mesmo que isto seja desnecessário, já que quem conta a história sou eu e eu não sou terceira e nem segunda pessoa, este nome também de calhar, me chamarei Zé Consolácio.
A minha história é um tanto diferente das outras, não precisa de datas especificas e nem de cidades inventadas, pois que o local é aqui e a data é agora. É aqui e agora que me sento pra contar da forma que eu quiser, pois a história é minha, e, se é minha, posso cantar ou fazer mímica ou até mesmo quem sabe bater a minha cabeça na parede e escrever ao mesmo tempo, se assim eu quiser. Escrever alivia a culpa que eu sinto e por mais que eu bata a cabeça na parede, choca-se no concreto duro uma parte de mim mesmo, mas o peso na consciência não irá diminuir.
Meu cérebro viaja a mil por horas, mesmo eu estando parado, minhas células se encontram em movimento para recriar em minha mente a imagem do que me aconteceu e consigo perceber que duas pessoas surgem lentamente estampadas na parede da lembrança e, olhando mais de perto, consigo identificar seus rostos e suas bocas se mexerem como se estivessem a pronunciar palavra.
O que fará duas pessoas conversando se não falando da vida? Duas bocas que se mexem a disparar palavras, uma que reclama e outra que aconselha. A voz do consolo como sempre é a minha. O outro me dizia em tom de cansaço:
- Meu amigo, o trabalho está tão cansativo, não tenho tido tempo nem pra colocar minha cabeça no travesseiro, todo dia acordo muito cedo, quase que junto aos galos, e a noite quando chego em casa, já é tão tarde, que galos e pássaros já se encontram em seus ninhos no quinto sono.
Então, como todo que consola, honrando mais uma vez o nome por mim inventado e não a toa, eu, vulgo Zé Consolácio, aconselhei-o :
- Amigo, então por que não conversa com seu chefe e pede pra entrar um pouco mais tarde, assim tu deixa que os galos cantem e descansa um pouco mais!
Conselho aceito! No outro dia, logo de manhã ao entrar no trabalho foi pedir ao seu chefe para que pudesse entrar um pouco mais tarde, seu chefe entendendo sua situação, fez que assim fosse. Ele então trabalhou e resto dia, fazendo tudo que lhe pediam e chegando em casa, adentrou-se nos lençóis do sono, dormindo satisfeito.
No dia seguinte, um enorme temporal viera rondar a cidade, trazendo chuva forte e bastantes raios. O que não passara na minha cabeça e creio eu, que também nem na dele, é que exatamente onde ele residia, estava prevista chuva de raios, como se nada fosse por acaso, ele dormia, sem poder nem se quer supor que se ele estivesse no trabalho estaria a salvo daquele temporal. Se existe Deus, este não foi tão bom com meu amigo, pois um raio viera tirar-lhe o sono, levando-o ao descanso eterno… “Se é que um morto descansa”.
Por isso, hoje lhes dou meu ultimo conselho: “Façam o que puder, mas não dêem conselhos, por que se a pessoa lhe ouvir e mudar de rotina e, um raio vier a cair tirando-lhe a vida, tu também serás culpado.”
Ps. Não sigam o meu conselho

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Amor eterno

Amor eterno, eterno amor
Seja pra sempre mas sem dor
Que sempre queime no fundo do coração
Mas que não se apague
como se apaga as chamas da paixão

Jair Fraga Vieira Neto

O que todo homem deseja-

Andava pela noite como quem não sabia nada, eu pensava na vida, o por que dos dos por quês, cansado e com fome? Sei lá, só sei que andava sozinho pela noite. Desconfiava da razão e por razão desconfiava da vida, eu um homem bom, com filhos e mulher, empregado numa empresa multinacional, um empresário requisitado, com diplomas que acrescentei ao longo da vida.
A noite estava fria, me causara arrepio, mas mesmo assim estava eu na rua, sozinho a caminhar, foi quando comecei a desconfiar das verdades impostas pelo seres humanos e nos mais profundos pensamentos, até da própria existência de Deus.
Meu pensamento me levara pra longe de onde eu estava e eu já nem sentia mais o calafrio que a noite me causara, estava tão concentrado em meus pensamentos que mau pude perceber um vulto negro que surgiu ao meu lado, uma criatura de chifres com um tridente na mão, fez com que eu me desligasse dos meus pensamentos e começou a falar:
- Leio seus pensamentos, você está infeliz, posso lhe oferecer o que quiser.
- É verdade?! - “eu não acredito em nada”, pensei – O que, por exemplo?
- Você precisa apenas assinar este contrato que esta em minhas mãos, assim você poderá ter fortuna, mulheres e sucesso.
- É verdade? Você deve estar faminto – Falei tentando desconversar
- Isso é verdade, tenho fome de alma, eu sou a besta, a coisa ruim, o capeta, entende garoto? – Ele começou a ficar bravo
- O diabo?! – Falei como se estivesse assustado – Mas o que eu fiz de errado?
- Vejo infelicidade nos seus olhos – Ele tornou a dizer.
- Preste atenção seu desocupado – Ele me olhou como se estivesse a pensar, “será capaz, será que não percebe quem sou?” – Eu sou feliz, sou um homem honesto e simples, sou casado, tenho filhos que amo, tenho um emprego invejado, não preciso de mais nada.
- Não pode ser, todos nós temos desejos, você não pode ser diferente
- Trabalhei por oito anos até subir de cargo na empresa, tenho um Deus honesto que me oferece as coisas de acordo com meu merecimento, não preciso de mais nada!
- Não é possível – Falou-me indignado
- Como todo homem de fé, tenho poucos desejos, tudo o que eu queria, consegui com o suor do trabalho, mas ha uma coisa no qual desejo todos os dias… – Parei de falar a esperar uma pergunta.
- Fale-me o que precisa, o que posso lhe oferecer?
- É besteirinha, não preciso assinar contrato pra conseguir, pois que eu encontro em qualquer esquina, em qualquer bar…
- O que seria então?!
- Teta e cerveja, isso é o que todo homem como eu desejo!
- O que?!
- Teta e cerveja – Repeti com gosto.
- Teta e cerveja?! Todos querem dinheiro, mulheres e sucesso, não é possível que alguém se contente com tão pouco!!
- Eu só quero teta e cerveja, teta e cerveja, teta e cerveja – Comecei a repetir sem parar.
- Argggggh - A besta começou a se distorcer e sumiu assim como havia aparecido, na escuridão da noite.
Continuei a andar sozinho pela noite, pensava eu: “infeliz?!, não sou não, apenas precisava de um tempo pra pensar na minha vida. E fui caminhando até o sol nascer até que a luz do novo dia viesse me avisar que estava na hora de voltar pra casa. “ Teta e cerveja, essa é boa” , dei risada sozinho e tomei o caminho de casa pensando, “que homem louco aquele fantasiado de diabo, achou que seria fácil me enganar”. Cerrei os olhos, dei uma bocejada profunda e adentrei-me em minha casa…
Ps: Texto baseado na música de Frank Zappa – Tits and Beer ( tetas e cervejas)

terça-feira, 31 de março de 2009

Verdadeiro Caçador


Verdadeiro caçador se veste de cordeiro, só pra vender a pele do lobo, pois este enfeitiçado e cego pela fome, não consegue ver além da vestimenta, cravando no peito a própria sentença.
O mesmo desejo que faça do lobo um cego, faz do caçador um rico, pois que o caçador não deixa que a fome seja maior que a vontade de comer e sempre paciente, fica a espera de sua vitima e seguindo o velho ditado, sempre alcança, pois “quem deseja paciente, sempre inventa uma forma nova de surpreender a vitima”.
E surpreendido é ao ver o pensamento que lhe passa despercebido, se faz de distraído, quase que deixa passar, pois é assim que se pega uma boa idéia, que ao passar diante do homem fingindo-se distraído, essa passa a desfilar na exatidão e transparência que homem algum poderia imaginar, sem medo e pensando não estar sendo observada, esta se torna vulnerável e o homem sábio como todo bom caçador, se esconde na moita da distração e ela achando fugir e quase fugindo é pega de surpresa.
Eis que o homem amarra a idéia, como assim se amarra um soldado que atravessa a linha inimiga e forçado a falar, temendo a morte (inexistência temporária), esquece-se do bom senso e a razão e solta as palavras pelo coração.
Surpreendido é o homem mais uma vez, pois que pra sua surpresa, a idéia que achava escapar e quase escapando, era a solução que ele tanto procurava. Seus dias de pobre caçador estariam contados.
Na voz sábia, a idéia pronuncia em palavras incertas o tal “se” fizeres, “se” conseguires, mas o “se” não existe para um caçador, ele vai fazer e vai conseguir, pois o “se” expressa incerteza e na voz sabia da razão e fé que sentado mais uma vez e pensando, lembrou-se das ultimas palavras de seu pai, tão sábia estas que diziam com exatidão que “a incerteza faz do vencedor um derrotado”.
Um caçador não se deixa derrotar, ele nasceu pra vencer, pois a vitória não precisa de medalhas e vencedor é tudo que vive e vivendo se deixa jogar o tão sonhado jogo da vida.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Vida X Música

A Vida é como a música
Ou aprende a tocar

Ou

Você acaba dançando…

Um novo movimento

Homens e mulheres
Pretos e brancos

LEVANTEM-SE!!

Algo está para acontecer
E a mudança só depende de vocês

ACORDEM!!

Ouçam o despertador da vida
A vida ainda não está perdida

DESPERTEM!!

Pois quando o sino tocar
Vai ser preciso levantar e lutar

AJUDEM-SE!!

Pois que sozinho
Não se faz nem vinho

 

INFORMEM-SE!!

De que adianta se importar com a natureza e nada mais;
Se como homens agimos feito animais??

ANTECIPEM-SE
RECRIEM-SE

Já está na hora de mudarmos

Reinado de gelo

O que diria um rei sem realeza
Sem reinado, sem alteza,
Sem castelo e nem princesa
Perdido no nada
Sem escudo e espada?

Acabou-se na guerra,
A gora só ha terra
No vão dos dedos.
Acabou a guerra
Guerreiros e desejos

Aqui jaz um sonho
Transformado em medo
Aqui jaz um rei
E seu reinado de gelo.

domingo, 15 de março de 2009

A mesma sorte

Morre o sábio e morre o tolo
Como assim ha de morrer meu corpo
E o porco que me alimenta

Quem teme a morte
Ha de temer também a vida
E a sorte que ela oferece

Triste fica quem da morte vive
Vive ferida quem não cicatriza

Seja ator ou atriz
Mestre ou aprendiz
Compatriota ou meretriz

Todos tendem a gozar da mesma sorte
Seja fraco ou seja forte
Quem vive da morte
Ha de matar também a vida

Jair Fraga Vieira Neto

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Quem sou eu pra falar de mim? (Jair Fraga Vieira Neto)

É triste saber
Que mesmo sabendo o que sei
Ainda não sei de nada
E que mesmo acordando de madrugada
Antes do cantar dos galos
O cachimbo ainda cai
Mesmo quando não cochilo

A sorte é uma triste noção da realidade
E... na vida tende a caminhar com o azar
E por isso tenho me afundado no bar
Tenho me afundado na profundeza do mar
E esse mar é a mim mesmo
Quem sou e para onde vou?
São perguntas constantes e cortantes.
E nesse oceano áspero que se chama vida
Eu caminhei, inventei problemas, salvei pessoas
E quanto a mim mesmo?
Só uma imagem no espelho
Uma fotografia...

Mas até a aranha fia
Tecendo ali uma história que desafia
A mosca que sobrevoa
Mesmo temente a Deus, desconfia!
E esta mosca, sou eu
É a imagem de mim mesmo
Preso na teia do destino
Mas diferente dela,eu sobrevivo

Voando pela rua
Às vezes vagando
Outras andando
Mas vou feito um mendigo
Estendendo a mão
Por mais amor
E menos dor

A luz do sol tocando minha face
(É assim que se destaca o lado escuro)
E eu vejo como ainda estou em cima do muro
Mas estou jovem, vivo e feliz, mesmo em apuro.

Terra... Bendita Terra...
Se eu comi terra quando criança
Foi apenas pra me sentir terrestre.
Mas na rua sozinho onde caminho a pensar,
Vejo que além de humano, sou pedestre... Pedinte...
Um belo desastre natural...

Mas se não fosse tão normal
Ser igual ou diferente
Talvez o meu presente seria o passado
E além de vagar... Eu seria crucificado
Jair Fraga Vieira Neto (eu por mim mesmo)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Na solidão do banheiro...(Jair Fraga)

Na solidão do banheiro
O que predomina é o cheiro e a água que cai do chuveiro,
Nesses momentos quase nem sei o que é verdadeiro

As palavras se distorcem em parábolas mal faladas,
Ditas por todas as bocas, quase nunca executadas.

Lembro-me do mundo, da desgraça.
Lembro da guerra, dos homens de farda,
Mas logo alivio, quando dou descarga...
Jair Fraga

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O homem e o pássaro(Jair Fraga)

O pássaro voa sem o peso nas costas,
que é o peso do pecar.
O pássaro não conhece o pecado,
por isso consegue voar”.
••Jair Fraga Vieira Neto.

Triangulo Amoroso(Jair Fraga)

Reparto trigo em três copos de vinho,
Só pra confundir sua cabeça,
Você partiu e me deixou sozinho
E ainda pediu que eu lhe esqueça

Te trouxe três rosas vermelhas pra provar meu amor
Você provou que o amor não se prova
Você estava errada e eu falei
Te perdôo a todo custo
Você queria outras coisas

Saiu andando sem dizer aonde ia
Mas me deixou os três copos de vinho
Me embebedei, tomei aquele porre
E ao passo que o dia foi nascendo
Que eu percebi o triangulo amoroso
Que eu estava me envolvendo

Perdeu a graça
Quebrei a taça
Resolvi deixar vocês se embebedarem sozinho
Com muita raça, só de pirraça

Cuspi nos três pratos de trigo
Pois sei que entre mortos e feridos
Serão os “tigres” que ficarão entristecidos
Repito quando convêm
Quem muito quer, nada têm
JAIR FRAGA VIEIRA NETO

domingo, 19 de outubro de 2008

pelo sim e pelo não.(Jair Fraga)

Eu falo sério
A vida é um mistério
Um paradoxo indisvendável
Tento entender, mas me perco em pensamentos
É tudo tão inacreditável
Mal acredito no que vejo
Quanto mais no que não vejo
Será a vida um jogo de azar?
Será o livre arbítrio a razão de tanto medo?
Será proibido amar?
Eu não entendo!

Pastores vendem bondade
Que é algo que não se compra
Eles oferecem milagres
É tão triste que me assombra
O sangue derramado em um vinho
A paz servida em um cálice
E todos seguimos sozinhos
Acreditando que uma figura de vestes
Possa transformar o vinagre da vida
No vinho que é sangue de cristo

Não critico a religião
Mas o que dirá a igreja
Daqueles que roubam pelo pão
A maldade se transforma em bondade dissimulada
Mas sempre existe exceção
Tem frutos de tanta bondade
Que se sacrificam em vida
Para sanar a maldade

Queria voltar aos tempos de criança
Naquele tempo eu não tinha preocupação
Era tudo tão belo, tão leve e singelo
A vida era uma maravilha
Mas... Pelo sim e pelo não...
Maldito fez corrupção.

Não sou devoto a religião,
Não sou ateu, ator ou a toa
Mas acho errado as cruzadas
Homens lutando, derramando sangue em chão
Para provar amor a cruz sagrada
Sangrando o coração
São aqueles que pregam bondade
Pelo sim e pelo não
Provam que a faca que passa manteiga no pão
É a mesma que faz sangrar o coração

Jair Fraga Vieira Neto

Pra sempre ficará manchado(Jair Fraga Vieira Neto)

Ele ria, ele ria
Da faca que enfia
No homem que o desafia

Sim, o pecado existe
E não quem exite
Em dizer que não
E mesmo que ele limpe
O sangue no chão
Pra sempre ficará
Manchado seu coração

Ele ria, ele ria
Do fósforo que acendia
e do corpo, que incendeia

Sim, a loucura existe
E não há quem exite
Em dizer que não
E mesmo que ele apague
As chamas do corpo no chão
Pra sempre ficara manchado
O seu coração

E enquanto a maldade gera
No começo de uma era
A alma degenera

Não é difícil pra perceber
Que o barato de viver é viver
Não é difícil pra perceber
Que o barato de viver é viver
E deixar o outro viver

Jair Fraga Vieira Neto

Queira o azar ou queira a sorte(Jair Fraga)

"Queira o azar
ou
Queira a sorte,

Só nao queira a morte....
Sem antes poder amar
Intensamente forte"

Escravo do relógio( Jair Fraga)



tic tac ... tic tac...

TIC TAC... Neste momento
ou
Enquanto isso


O tempo apanha do relógio
para que ande mais depressa
TIC TAC... TIC TAC...
tic tac...

A lingua empurra uma pergunta
pra mente, forçando a boca a levantar
os dentes:
Tic Tac
tic tac
tic tac
- Tempo por que o senhor anda tao devagar?
tic tac
tic
tac
tic tac
Rompeu-se a barreira do acaso que por acaso estava dormindo,
e o Tempo respondeu para o homem:

"As respostas para suas dúvidas, estão
além de qualquer pergunta...
"Eu sou escravo do relógio"

Apartamento vinte e dois(Jair Fraga)

Apartamento vinte e dois,
Não deixe nada para depois,
Edificado seja nossa vontade,
Mas leve de mim o que chama de saudade,
Isso que para mim é só vaidade.

Se o sino tocar,
Diga que não estou,
Chego depois.

Se for a morte
Que vier me procurar
Diga que sai com a sorte
Fui aprender a voar
Diga que ela me ensina
Que tudo tem o seu tempo
E só depende da potencia do vento
Para que eu possa voltar

Apartamento vinte e dois
Não deixe nada para depois
Edificado seja nossa vontade
Mas leve de mim o que chama de saudade
Isso que pra mim é só vaidade

Leve para ela uma frase
Que eu acabei de inventar
Pois só existe uma verdade
E essa eu vou lhes falar
" se o mundo é o filósofo,
sábio será o tempo"
Sábio será!

Que mude tudo
E mude a vida,
Mas que eu não confunda
Cicatriz com ferida

Jair Fraga Vieira Neto

É melhor que o pior(Jair Fraga)

É melhor sorrir pro mundo
Do que ter o mundo de caras fechadas pra você
É melhor rir da cara do perigo
Ter um bom amigo
Do que ter medo de viver.

É melhor olhar pra frente
Do que se espelhar no passado
Para dizer que já não sente
É melhor subir na vida
Que dizer que a mesma,
está perdida.

O que é melhor pra mim
Talvez não seja pra você,
Então viva com medo de viver
Pra saber que o melhor
É melhor que o pior acontecer.

Jair Fraga Vieira Neto

A diferença não tem graça!(Jair Fraga)

Os tacos deste chão
Pedem clemência de joelhos
Há um sujeito sem noção
De mal , de bom
Vamos a realização
Preto e Branco como irmãos.

Os verdes serão os brancos
Num toque de magia
Todos seremos irmãos
Vamos a realização
Preto e Branco são iguais.

Cores sem cores
Racismo sem raça
Preto, branco, azul, amarelo,
A diferença não tem graça!

Jair Fraga Vieira Neto

Drogas tô fora!!!(Jair Fraga)


Não há brahma extra
Que esquente o coração
Nem conhaque e nem vinho
Muito menos alcatrão
Bala, extasi,não!
Essa não é minha paixão.
Nem cerveja e nem vodka
Muito menos caipirão
Nem tua presença astuta
Pra preencher meu coração

Jair Fraga Vieira Neto

Medo do escuro(Jair Fraga)



Seus olhos frios
Cercados de medo do escuro
A pupila se dilata e relata
O silêncio se transforma em murmuro
As trevas pedem luz a todo vapor
É preciso amor

A solidão é servida em pratos quentes
O mau com toda sua frieza impera
O sangue corre demente
Tão ausente ele espera
É preciso amor

Fazer me mal
Fazer me bem
Não importa
Faça você também

É preciso amar
É preciso coragem pra recomeçar...

Jair Fraga Vieira Neto

O amanha sera belo(Jair Fraga)

Hoje eu acordei feliz
Pensei no nada e era tudo o que tinha
Pensei na possibilidade
De triste cançao virar felicidade
E um dia você ser minha.

O amanha sera belo
Acordei sonhando e assim mesmo acordado
Vi minha historia sem fim e vi que nao tinha acabado

Estou sentado em meu sonho
Estou centrado na mente
Frente a frente com o desejo
De te ter eternamente

É sonhos mais nobres acontecem assim
Agora sonho com voce perto de mim
Que coisa mais incrivel que é o amor
Agora amo todo mundo intensamente
Agora minha vida tem mais cor
E eu te quero do meu lado eternamente

Descobri que sonhar é a melhor arma
E que o amor purifica a alma
Meu amor, eu irei manter a calma
Mas sei que o amanha sera belo
Tao belo quanto a mais bela alma

Jair Fraga Vieira Neto

ZAPPAKI ZAPPAKOLA (JAIR FRAGA)

A noite passada foi legal
Começou com uma dose e saiu do normal
E tinha um cara tocando um som esquisito
Um rock misturado com coral
A banda eram doze
Depois mais um dose
Tudo de boa pruma noite legal

Tinha uma guita diferente
Deixando o publico demente
Tinha um cara que falava e falava
Fazendo a cabeça da gente
De repente o rock virou clássico
E do clássico, um jazz
E o homem que parecia um mágico
Quis descansar a batera
Fazendo uma bela capela

O nome do cara era Zappa
Zappaki Zappakola
O nome era Zappa
Próxima noite eu to lá

Jair Fraga Vieira Neto

Tão longe a felicidade (JAIR FRAGA)

Venho de longe meu amigo
E de tão longe que o longe me levou
Hoje preciso de um abrigo
Uma coberta e um amigo,
Confesso que a distância me fez pensar:

Se a falsidade te mantém nessa cidade
Tua verdade gerará a crueldade
Se a saudade te afastou de quem és
Tão longe pode estar felicidade

À distância me fez pensar
Que é a beleza de um sorriso
Que faz daí um paraíso
E nem de perto eu poderia notar

Jair Fraga Vieira Neto

Soldado Arrependido.(Jair Fraga)

Me ajudem, estou ferido,
Estou perdido sem saber aonde estou,
Estou quase morrendo no meio dessa mata
E nem sei se vou aguentar
Nem quantos dias vou durar.

Vejo que a guerra não leva a nada
Que não existem vencedores
No final de uma batalha
Só existem perdedores
E enquanto a maldade gera
No começo de uma guerra
A alma degenera.

Com este fuzil eu já matei,
Fiz mães chorarem e homens sofrer
Eu me arrependo antes de morrer
Com as lágrimas caindo quase que despercebida
É com este fuzil que vou calar a minha vida!
Jair Fraga Vieira Neto

Embreaguei-me.(Jair Fraga)

Embreaguei-me de gloria,
Pois não havia vinho a altura
Da minha satisfação.
Eu embreaguei-me da vitória,
Depois de me fartar de tanta alegria...

Brasil Real. (Jair Fraga)

Aqui nasci e vou viver
Foi essa pátria que me pariu
Não tenho queixa a fazer
De tanta beleza
Como é bela a natureza
Nessa pátria mãe gentil

Mas vou dizer que me envergonho
Aqui nesse país os ricos roubam por medalhas
E os pobres se contentam com migalhas
As escolas formam marginais
E como se não bastasse
Os bandidos tem complô com policiais
Como é triste essa nação
Até os políticos cultuam a corrupção

Sejam bem vindos ao Brasil
A pátria que me pariu
Terra de tanta grandeza
Ao contrario a natureza
É o corpo da mulata
Que possui grande beleza
Jair Fraga Vieira Neto

Caminho sem volta. (Jair Fraga)



Eu vejo a minha
Como eu vejo a sua
Um buraco negro de horror
Um caminho sem volta
Repleto de dor.

É por isso que eu queria o útero
Pra sentir o que não é meu
E traduzir em outras línguas
O que não me aconteceu
Só pra viver em um mundo novo
Sensações que não senti
E me orgulhar de dizer
Um dia passei por aqui.

Eu deixo a vida
Como um dia já deixei
Só pra esquecer tudo aquilo
Que um dia desejei
É para viver em novo manto
Que vou deixar este recanto
Que um dia foi de paz
Deixo assim, desejando ser o que não sou
Como um homem que abandona a vida
Dizendo que já amou.

Deixo assim
Porque no começo
De todo recomeço
Sempre existe um fim
Acabou!
Destruo a minha
Pra não destruir a sua.
Jair Fraga Vieira Neto

Previsao do amanhã.(Jair Fraga)

Queremos dizer
Que o amanha,
Será um dia normal,
Não terá algo novo
E nem tão diferente...

Terá pessoas falando da vida alheia
E mulheres julgando-se sereia
Terá um homem dizendo na televisão
Da violência de presos
Que fogem da prisão
O tempo será instável
Se vai fazer frio ou vai chover
Só quem é vivo pode saber

O mendigo,
Vai pedir trocado no semáforo
Pra homens com medo
Que pra trabalhar
Se levantaram cedo
Só pra poder levar
A vitima escolhida
Para um restaurante caro
Pra depois comer
Na sala de jantar

Terão homens fazendo greves
E alunos cabulando aula
Homens querendo trabalhar
Enquanto outros carregando
Dinheiro roubado na mala
Pra qualquer lugar
E agora...
Se vai fazer frio ou vai chover
Só quem é vivo pode saber
Jair Fraga Vieira Neto

Se eu pudesse e vc quisesse(Jair Fraga)

Se eu pudesse
E você quisesse
Eu te daria um mundo
Um mundo a conquistar

Eu te daria a chuva no sertão
E a água nos tempos de seca
Daria comida no reino da fome
E pra saudade um nome
Um nome que rimasse com o seu
E com o meu

Se eu pudesse
E você quisesse
Eu te daria um mundo
Um mundo a conquistar

Transformaria a vida
Num conto de fada
Onde o mal se combate com risadas
Ensinaria pra dor um pouco mais do amor
Acabaria com a maldade e a saudade
Só pra possuir felicidade

Agora chega!
Acabou!
Eu não posso e você não quer
Vou viver a minha vida atrás de outra mulher
Não quero mais mudar o que não muda
Muda mundo... Muda mundo... muda mundo
Jair Fraga Vieira Neto

Escolha viver!(Jair Fraga)

Eu escolhi,
Escolhi viver,
Peguei minhas traias e
Joguei-me no mundo,
Quis conhecer desconhecido,
Viajar, batalhar, lutar
E crescer.

Lancei-me de pára-quedas
Ao mar novo,
Conheci pessoas,
Consegui dinheiro,
Família, amor
E cá estou eu
Escrevendo meu
Depoimento

Não temam o novo!
Ele faz bem para saúde!
Jair Fraga Vieira Neto

Rasgaram as minhas roupas...(Jair Fraga)

Que assim seja
E assim será
Rasgaram minhas roupas
Mas ainda tenho meu corpo
Levaram meus aneis
Mas ainda tenho dedos
Levaram meus sonhos
Mas ainda estou vivo pra lutar
Tentaram arrancar meu coração...
E esse não conseguiram levar
E por mais que tentem
Sempre estarei pronto pra amar.
Jair Fraga Vieira Neto

Escute se quiser. (Jair Fraga)

Fuja se capaz
minta se quiser
esqueça-me jamais
avise quando vier

faça aquilo que quiser
mesmo sem poder
deixe-me jamais
o amor tem de crescer

pense sem pensar
ame sem amar
escute se quiser
mas nunca deixe de sonhar
Jair Fraga Vieira Neto

Musica espelho da vida.(Jair Fraga)

Hoje eu vi minha vida passar
Não foi sensação de morte
Nem morri pra te contar
Apenas ouvi essa musica
Que me fez acordar!

Musicas são como historias da gente
E nessa hora a minha vida
Passou diante do espelho da mente.

Alguém me disse,
Que você estaria la a me esperar,
Depois do primeiro refrão
A direita do segundo solo
A esquerda da nova gaita
E cá estou eu a te procurar.

O tempo passou na clave de uma boa nota
E tua ausência notável
É comparada a musica que toca
Bate na cara,faz lembrar
Mas a quem fale que nunca tocou.

A sensação causa arrepio
Faz lembrar de um dia frio
E do sol que não se mostrou
A musica trás o vazio
Ou nos enche de esperança
Ah deixa que toque!
Já não sou mais uma criança...
Jair Fraga Vieira Neto

Fusquinha!!-paródia a musica sertaneja(Jair Fraga)

Tanto tempo que queremos
Pouco que nos conhecemos
E assim vamos vivendo
Sem pensar que morreremos

Tua irmã é uma coisinha
Tua mãe ta na cozinha
E você ta ai sozinha
Esperando a campainha

Hoje eu vou passar ai
Vou montado num fusquinha
Grande carro, esse carrinho
Voa feito um passarinho

E se de noite ele afogar...
Na esquina ou em qualquer lugar
Sinto muito em te informar
Você vai ter que....empurrar!
Jair Fraga Vieira Neto

É culpa do Aquecimento Global(Jair Fraga)



Você me deixa quente
Quando agente fica junto
Você me deixa louco
E tão louco como louco sou,
Digo que é coisa de momento
Coisa que é natural
Culpa do Aquecimento
Aquecimento Global

Você me banca a banca
Me estoura feito milho de pipoca
Você diz que me ama, me engana
Mas mesmo assim na sua cama
Bem depois do aquecimento

Digo que é coisa de momento
Coisa que é natural
Aquecimento Global!

Você ri da minha cara
Coisa que é coisa rara
Da porrada, banca louca
Pensa como homem pensa
Ta criando minha sentença
Bem antes do aquecimento
Coisa de profissional
Aquecimento Global

Quando é pra ficar frio
Fico quente
Quando é pra ficar quente
Não consigo e fico frio
Se eu não posso prever
O que acontece comigo
Imagina só o mundo

O mundo corre perigo
Culpa do aquecimento
Coisa que é atual
Aquecimento Global
Jair Fraga Vieira Neto

Currículo de um nordestino(Jair Fraga)

Sou do nordeste
Sou cabra da peste
Sou um homem bom
Não me conteste.

Eu entendo de ovino, bovino,
De suíno,caprino e eqüino
Mas com tantas coisas que entendo
Só não entendo de mulher.

Vou consegui tudo o quero
Não tenho apego ao dinheiro
Eu sou guerreiro, sou batalhador
Faço tudo por amor.

Eu não discuto
Quando um homem berra
Sou do nordeste
Quero voltar pra minha terra!
Jair Fraga Vieira Neto

Sou pecador!(Jair Fraga)

Tantas frases que gastei
Tantas pessoas que amei
Tantos quilómetros andei e andei
Só pra encontrar em outros campos
Coisas que em mim se escondiam
Acreditava em falsos santos
Pra ser o que todos queriam.

Eu já disse por dizer
Coisas que o coração não sente
Eu já corri atrás de gente
Que não me merecia
Eu concluo com crescer
De que sou, o que todos pensam ser:

Assim eu vou vivendo,
Sou pecador e continuarei sendo
Quem não peca, não ama, se engana
Assim disse o sábio homem
Já errei mas vou tocando
É mesmo errando
Que acabamos acertando
Jair Fraga Vieira Neto

Palavras de quem mente.(Jair Fraga)

Palavra de quem mente
Quase ninguém sente
É fácil de dizer
É impossível acreditar

É uma forma vital de sobrevivência
Denominada arte de olhar
Causa engano,
Mas é bem mais fácil que dizer:
Eu te amo.

Jair Fraga Vieira Neto

O rato roeu (Jair Fraga)



Tomei um gole de cerveja
Me levantei da mesa
Sem que você veja

Sai de mansinho
Assim de fininho
Me recolhi ao meu ninho
Feito um passarinho

Quando percebeu
O pau comeu
O queijo que estava na mesa
O rato roeu

Ino dos loucos!(Jair Fraga)

Viva a vida como loucos
Viva o que é natural
Sejam loucos, como poucos
Diferentes do "normal".

Jair Fraga Vieira Neto

Poesia a dois-"dialogo"- (Jair Fraga)

-Eu não sou gramático, minha vida é drama, sou poeta
-Mas espero que também na cama
-Na cama quero só aventura
-Se for comigo quero só loucura
-Então manteremos a postura
-Não! Quero que me leves a altura
-Então uive feito um cão que uiva pra lua...
-Eu querouuuuuuul, Eu querouuuuuuul

Jair Fragauuuuuuuuuuuu

Verdadeira oração para vencer (Jair fraga)

"Derrotem-me, me humilhem, me difamem,Amém...”

Pois ha de ser a derrota
o ponto mais forte para o meu
crescimento, se assim não existisse
obstáculos, não existiria a vitória e nem
o vencedor...

Jair Fraga Vieira Neto

A verdade(Jair Fraga)

Era verdade aquilo que dizia,
Era verdade o sentimento que sentia,
Era evidente, meus olhos que não viam...

Um brinde a vida(Jair Fraga)

Vamos brindar à vida,
A verdade, a amizade,
A ironia... O tão sábio destino...
O destino de um menino

Vamos manter a postura
Vamos lutar, trabalhar e
aprender para ensinar

Vamos nos unir
Em primeiro lugar

Jair Fraga Vieira Neto